Já não escrevo há muito tempo... Entretanto já aconteceram muitas coisas na minha vida que gostaria de partilhar com quem me lê, principalmente fotografias da minha viagem a Paris, de fins de semana de passeio e de noites entre amigos mas como ainda hoje não é possivel e oportonidades não faltarão, fica aqui um artigo de Ricardo Araújo Pereira que saiu na Visão de ontem. GOSTEI TANTO...
"Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama «a minha geração» passasse a ser conhecida como «geração rasca». Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por «geração dos 500 euros». O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquetante: é possivel que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o salário é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salário de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a «geração rasca» e a «geração de 500 euros» coincidam: quem é rasca, em principio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.
Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas de partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil, e às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas -chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de nenhuma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É BEM MAIS FÁCIL deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros."
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